Sem Eduardo, PSB tem nova chance de conquistar protagonismo nacional


O ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, pode ser candidato a presidência pelo PSB, mas enfrenta resistências / Foto: Agência Brasil

O ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, pode ser candidato a presidência pelo PSB, mas enfrenta resistências
Foto: Agência Brasil

Paulo Veras

Quarenta e cinco milhões de eleitores governados em cinco Estados, onze pré-candidatos a governador e a possível candidatura presidencial do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa. Menos de quatro anos após a morte do ex-governador Eduardo Campos em plena corrida ao Planalto, o PSB tem uma segunda chance de deixar de ser um partido regional e se consolidar como protagonista no cenário nacional.

Após a morte de Eduardo, o PSB amargou anos de divergências entre Estados mais próximos do PSDB e outros do PT, e uma forte divisão entre apoiar ou não o governo Michel Temer (MDB). Por isso, encolheu de 34 para 25 o número de deputados federais e de seis senadores para quatro. Desde a última semana, porém, ao assumir as gestões de São Paulo e Rondônia após a desincompatibilização de ex-governadores que disputarão eleição, o PSB se tornou o partido que governa o maior número de eleitores em todo o País.

“É muito relevante um partido ter o maior número de brasileiros sendo governados no plano estadual com uma margem muito larga em relação aos outros partidos. É muito importante para nós. Um partido que começou há muitos anos atrás com uma atuação mais regional cresceu, teve uma candidatura à Presidência da República competitiva. Governar São Paulo (com Márcio França) é uma conquista muito forte”, explica o prefeito do Recife, Geraldo Julio, secretário nacional do partido.

Além de Pernambuco, onde o governador Paulo Câmara tentará a reeleição, o PSB tentará o governo também em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Distrito Federal, Tocantins, Amapá, Rondônia, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte. Só na próxima semana, a Executiva Nacional deve concluir um balanço sobre quantos deputados federais e senadores espera eleger, mas o deputado pernambucano Tadeu Alencar, que assumirá a liderança da bancada em junho, diz que a sigla tem chances de fazer 40 parlamentares. “Para aqueles que achavam que sem Eduardo Campos nós íamos nos esfacelar, nós temos crescido sistematicamente”, explica Tadeu.

As disputas estaduais e a formação de uma ampla bancada capaz de garantir tempo de TV e financiamento público devem ser prioridades do PSB. Por isso, há incerteza em relação à candidatura presidencial de Joaquim Barbosa. O ex-ministro do STF, relator do Mensalão, é conhecido nacionalmente e tem mostrado resultados consistentes nas pesquisas internas, mas é também um neófito a seis meses das urnas, em um cenário onde o PSB precisa priorizar esforços, inclusive financeiros.

“O que nós queríamos, e estamos conseguindo, é que as resistências que haviam contra a possibilidade de ele ser candidato foram tremendamente atenuadas. Pode haver uma questão pontual. A gente evoluiu muito do ponto de vista de consolidar essa candidatura”, garante o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, que vê em Barbosa um candidato de densidade eleitoral.

Resistências a Barbosa

Mas o fato é que Barbosa ainda enfrenta fortes resistências no PSB, inclusive em São Paulo e Pernambuco, os dois principais focos de poder político da legenda após a morte de Eduardo. Na última semana, o ex-ministro Aldo Rebelo deixou o partido e se filiou ao Solidariedade por discordar da candidatura.

“Pessoalmente, acho que é um equívoco Joaquim Barbosa ter se filiado ao PSB. Na minha ótica, ele inaugurou no País em 2005 essa visão falsa da demonização da política. Não acredito que é um quadro que vá contribuir para uma alternativa do PSB do ponto de vista do poder nacional. Acho que a saída é construir uma aliança com os partidos de esquerda”, opina o deputado estadual Isaltino Nascimento (PSB), líder do governo Paulo Câmara no Legislativo.

Para o cientista político Elton Gomes, professor da Faculdade Damas, o plano do PSB de se tornar a terceira força política nacional em 2014 foi frustrado pela morte prematura de Eduardo. “Agora, o PSB procura se reenergizar compondo alianças estratégicas no nível regional e mediante a entrada de um outsider, uma pessoa que vem de fora da arena política tradicional, que é o Joaquim Barbosa. É uma figura que goza de credibilidade, mas não vejo ele como um presidenciável viável. Até porque o PSB não tem a máquina político-partidária com condições de se sobrepor e eleger um presidente da República. É um momento difícil para todas as legendas”, explica.