Polícia confirma terceira morte suspeita por contaminação de cerveja em Minas Gerais


O homem tinha 89 anos e estava internado no Hospital Mater Dei, na capital mineira

A identidade da vítima ainda não foi confirmada pelas autoridades, mas a morte ocorreu por volta das 2h50 / Foto: Divulgação

A identidade da vítima ainda não foi confirmada pelas autoridades, mas a morte ocorreu por volta das 2h50
Foto: Divulgação
JC Online com Estadão Conteúdo

Mais uma morte em decorrência da síndrome nefroneural foi confirmada pela Polícia Civil, em Belo Horizonte (MG), na manhã desta quinta-feira (16). Esta é a terceira vítima a morrer com a doença, que tem sido relacionada à ingestão da cerveja artesanal Belorizontina, da Backer. O homem tinha 89 anos e estava internado no Hospital Mater Dei, na capital mineira. As informações são do G1.

A identidade da vítima ainda não foi confirmada pelas autoridades, mas a morte ocorreu por volta das 2h50. O corpo do homem será encaminhado para o Instituto de Medicina Legal (IML), onde passará por exames e perícia. Na última segunda-feira (14), foi anunciada pela polícia a morte de uma mulher de 60 anos, também após contaminação pela substância dietilenoglicol que, segundo a Polícia Civil, foi encontrada em lotes da cerveja Belorizontina.

A segunda vítima era moradora de Pompéu, na região central de Minas Gerais, onde foram identificadas as primeiras contaminações. A morte ocorreu no dia 28 de dezembro. Entre os sintomas apresentados pelas pessoas que tiveram contato com a substância estão problemas de ordem neurológica e insuficiência renal. A primeira pessoa a morrer com suspeita de contaminação foi um homem de 55 anos, morador de Ubá, na Zona da Mata de Minas. A morte ocorreu em Juiz de Fora, no dia 7 de janeiro.

Nessa terça-feira (15), a Polícia Civil esteve na fábrica da Backer, no bairro Olhos D’Água, na região Oeste de Belo Horizonte. Na segunda (14), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que já havia interditado a planta, proibiu a empresa de comercializar seus produtos e mandou que toda a produção fosse recolhida do mercado. Laudos da Polícia Civil apontaram a presença da substância em três lotes da Belorizontina. Houve a confirmação ainda da presença de monoetilenoglicol na fábrica. As duas substâncias são utilizadas na refrigeração e são altamente tóxicas.

Cervejas artesanais em Pernambuco

Diante dos relatos de intoxicação, as cervejarias artesanais de Pernambuco reforçam que não utilizam a substância dietilenoglicol (DEG). Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o DEG é um solvente orgânico, altamente tóxico, que causa insuficiência renal e hepática, podendo levar a óbito quando ingerido. Ela é utilizada por indústrias cervejeiras como anticongelante, mas não é prática comum entre as fabricantes pernambucanas.

Backer desaparece de bares de Minas

O barbeiro Wander Coelho, de 65 anos, retirava nesta quarta-feira, 15, garrafas da cerveja Belorizontina do freezer que mantém em seu local de trabalho. Ele tem uma “barbejaria” em Belo Horizonte, barbearia que oferece cerveja aos clientes, e revendia exclusivamente produtos da Backer, investigada por suspeita de contaminação. “Um cliente chegou, viu e perguntou: ‘Ainda está vendendo dessas?’ Via que as pessoas chegavam na barbearia e levavam um susto”.

A contaminação de lotes da Belorizontina com a substância tóxica dietilenoglicol causou medo entre frequentadores de bares e moradores de Belo Horizonte e fez com que comerciantes se antecipassem ao recall de garrafas, determinado pelo governo. A Polícia Civil de Minas investiga o elo entre a substância e casos de morte e intoxicação – até esta quarta, eram 17 notificações, com três óbitos confirmados.

Coelho já não vendia os produtos Backer desde segunda-feira, quando o Ministério da Agricultura determinou que a empresa recolhesse bebidas de todas os rótulos fabricados a partir de outubro. Iniciou a retirada na quarta porque telefonou ao representante da Backer e pediu que recolhessem as garrafas. São cerca de 300, que deram lugar a unidades de outra empresa. Após a determinação do ministério, a Backer pediu na Justiça mais tempo para fazer o recall dos produtos.

Um bar do tradicional Mercado Central que também revendia produtos Backer fechou. Uma lona preta foi colocada em toda a fachada, escondendo o letreiro em que se lia o nome da marca. Em um dos bares do Mercado Central, o aposentado Carlos Alberto Carrusca, de 62 anos, disse que é consumidor da Belorizontina e bebeu uma garrafa da marca em novembro. “O povo fica com medo. Agora não dá para beber mais dessa.”