No Recife, protesto do Dia do Trabalhador tem boneco de Lula e música


Boneco gigante de Lula com faixa presidencial marcou protesto do Dia do Trabalhador no Recife / Foto: Guga Matos/JC Imagem

Boneco gigante de Lula com faixa presidencial marcou protesto do Dia do Trabalhador no Recife
Foto: Guga Matos/JC Imagem

Paulo Veras

Bonecos gigantes, música e a baixa participação de políticos de esquerda marcaram o protesto do Dia do Trabalhador no Centro do Recife, que teve como mote principal a libertação do ex-presidente Lula (PT), que cumpre pena de 12 anos de prisão em processo da Lava Jato. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) estimou que 5 mil pessoas participaram do ato, que seguiu por cerca de 1,5 quilômetro da Praça do Derby até as imediações do Shopping Boa Vista. Ao lado de bonecos gigantes de Lula (com a faixa presidencial) e de dom Helder Câmara, os manifestantes caminharam embalados por afoxés e canções populares.

Em Pernambuco, também ocorreram manifestações em Petrolina, no Sertão, e em Passira, no Agreste. Em Goiana, na Região Metropolitana, houve bloqueio de rodovias. Outros 50 integrantes da CUT viajaram para Curitiba, no Paraná, onde Lula cumpre pena na carceragem da Polícia Federal.

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“Nós já temos mobilizações significativas. Agora isso não se transformou ainda em um grande movimento de massas. Quando eu comecei na juventude operária católica, tinha um assessor que dizia que o movimento muitas vezes é como subir uma ladeira empurrando um carro: quando chegar lá em cima, que vira para o outro lado descendo, o carro pega velocidade. Essa é a nossa esperança”, afirmou o ex-prefeito do Recife João Paulo (PCdoB), um dos poucos políticos a participar do ato.

Presidente do PT em Pernambuco, Bruno Ribeiro prometeu radicalizar a luta contra os retrocessos, em referência às reformas trabalhista e da previdência. “No dia 7 de outubro, milhões de brasileiros vão às urnas e verão a foto de Lula. É a foto da democracia”, defendeu, de cima de um dos dois trios elétricos mobilizados para o ato. Ovos foram jogados próximo a concentração do alto de um dos prédios que fica em frente à Praça do Derby.

‘Luta com esperança’

“A gente faz a luta na raça, no suor. Mas também com muita esperança”, pediu Paulo Rocha, vice-presidente da CUT em Pernambuco. Ele ressaltou que a luta contra a prisão de Lula se unia a demandas contra as reformas do governo Michel Temer (MDB). Inicialmente, os manifestantes realizariam apenas um ato cultural no Derby, mas foram pressionados pelos militantes a sair em caminhada.

Questionada sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Lula e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, a deputada estadual Teresa Leitão (PT) disse que há um roteiro planejado para atingir o PT. “Todas as denúncias feitas contra o PT são em cima de delações não comprovadas”, argumentou. “É claro que a gente se preocupa. Porque a indignação também cresce. Mas a gente sabe que esse é o roteiro. E é por isso que estamos na rua”, afirmou ainda.