Em Salvador, adolescente jogou filho em tanque e depois foi dormir


Moisés Ângelo, de 4 meses, se afogou em tanque / Foto: Reprodução/Mauro Akin Nassor/CORREIO

Moisés Ângelo, de 4 meses, se afogou em tanque
Foto: Reprodução/Mauro Akin Nassor/CORREIO
Milena Teixeira do jornal o Correio (BA)
Para Rede Nordeste

A adolescente de 16 anos suspeita de matar o próprio filho, o bebê Moisés Ângelo dos Santos, de 4 meses, tinha discutido com o namorado, o micro-empreendedor Edmundo dos Santos, 52 anos, na noite de domingo (3). A informação foi divulgada pela delegada Ana Virgínia Paim, da Delegacia Para o Adolescente Infrator (DAI), que está à frente do caso.

De acordo com ela, a suspeita ficou com raiva depois de brigar com o companheiro. “Ela falou que foi dormir com raiva, porque o seu companheiro [Edmundo] havia pedido para ela sair do computador para ir dormir, já que a criança ia para o pediatra na manhã desta segunda”, informa Ana Virgínia.

Ainda segundo a delegada, a adolescente admitiu que jogou a criança no tanque de água por volta das 2h. Em seguida, conforme a investigação, a adolescente tampou o tanque e desceu para dormir.

A suspeita, segundo a delegada, consegue contar o relato “tranquilamente”. “Ela chorou enquanto prestava depoimento e disse estar arrependida, mas a percepção é que talvez ela esteja preocupada com as consequências do crime. Nada indica que ela tenha algum tipo de transtorno mental e, visualmente, nada leva a crer que ela fez algum uso de drogas ou bebidas”, completa Ana Virgínia.

Na manhã desta segunda, a adolescente, junto com a mãe, a manicure Michelle Cristina dos Santos, 38, e o namorado da jovem prestaram depoimento sobre o caso.

Ao CORREIO, a manicure lamentou o crime cometido pela filha.

“Queria que as pessoas entendessem que não tenho como sentir raiva dela, porque é minha filha. Eu gerei ela no meu ventre e jamais imaginaria que uma coisa dessas poderia acontecer”, continua a avó de Moisés, que autorizava a relação de Edmundo com sua filha, menor de idade.

A adolescente foi apreendida em flagrante e encaminhada para o Instituto Médico Legal (IML), pela manhã, a fim de fazer exame de corpo de delito.

DNA

O namorado da adolescente, Edmundo dos Santos, que é dono de uma lan house no bairro, foi quem achou a criança sem vida por volta das 6h. O bebê ainda estava no tanque de água, que fica na cobertura da casa.

De acordo com ele, no final da manhã de domingo a suspeita saiu de casa, na Rua Baixa da Silva, em Cosme de Farias, para ir até a casa do pai da criança, de prenome Luis, na localidade de Pititinga, que fica no mesmo bairro.

Ela, segundo Edmundo, foi até lá para ver questões relacionadas à pensão do bebê. “Ela chegou dizendo que o pai da criança tinha pedido o DNA, dizendo que o bebê não era dele”, cita.

Computador

Ao chegar em casa, a adolescente almoçou com Edmundo e depois ficou no computador até de madrugada. “Eu ainda avisei a ela para ir dormir, porque a gente ia levar o menino para tomar vacina hoje (segunda) de manhã, mas ela ficou no computador e eu fui deitar”, conta o micro-empreendedor.

Ao acordar, Edmundo teria perguntado à adolescente sobre o bebê, mas ela não respondeu. Ele então foi até a cama improvisada onde a criança dormia, mas constatou que debaixo dos lençóis estava um pacote de fraldas.

Ao perceber isso, ele conta que voltou para o quarto onde a jovem estava deitada. “Perguntei por que ela tinha feito isso com o bebê, mas ela só chorava. Eu a tranquei em casa e fui chamar a mãe dela”, lembra ele.

Confissão

Ainda segundo o dono de lan house, a adolescente teria esperado ele dormir para cometer o crime. “Foi de magrugada e parecia que ela estava se preparando para fugir, porque eu encontrei dinheiro na roupa dela quando ela confessou. Ela me esperou dormir pra fazer isso, porque eu não ia deixar”, detalha.

A adolescente morava na casa com Edmundo há dois meses. Ela dividia um pequeno quarto com o namorado e com o filho. O bebê, que dormia em uma cadeira improvisada, teria tido uma pneumonia no primeiro mês de vida e, por isso, foi morar na casa do padrasto.

“O bebê tinha ficado internado por causa de uma pneumonia e não podia ficar na casa da mãe dela (adolescente) porque as paredes de lá estão mofadas. Aí eu tirei ela e a criança de lá e trouxe pra cá. Eu tinha o bebê como um filho que eu não tive. Hoje mesmo eu ia dar um cercado pra ele”, conta Edmundo.

A adolescente estava se relacionando com Edmundo desde os cinco meses de gestação. Eles se conheceram há dois anos, quando a adolescente começou a frequentar a lan house que  Edmundo é proprietário. “A gente estava junto como homem e mulher desde quando ela tava grávida, porque o pai da criança só fez fazer”, diz ele.

Martelada em irmã e sequelas

Antes de morar com o namorado, a adolescente vivia com a mãe e duas irmãs, uma de 7 e outra de 4 anos. A adolescente já tinha passagem pela DAI por tentativa de homicídio. Quanto tinha 14 anos, deu uma martelada na cabeça da irmã menor, que estava dormindo e, na época, tinha 2 anos.

De acordo com Michelle, a adolescente teria ficado cuidando das irmãs enquanto ela saía para fazer faxina na casa de uma amiga.

Ainda segundo a manicure, a filha que foi atingida pela martelada ficou com sequelas da martelada e até hoje precisa fazer fisioterapia. “Minha outra filha ficou internada dois meses depois da martelada que ela deu. Na época, eu cheguei a levar (a filha adolescente) pra psicológo e pra igreja, mas parece que não adiantou muito”, avalia Michelle.

A avó de Moisés afirma que conseguiu perdoar o que a filha fez há dois anos. E que, inclusive, teria pedido à adolescente para cuidar bem do bebê. “Eu falei a ela assim: ‘se você não quiser ele, pode dar pra alguém, mas não faça maldade nenhuma'”.

Confira a reportagem completa no site do Correio (BA).