Ele ia à praia escondido de mim’, diz mãe de jovem que morreu por ataque de tubarão


José Ernestor completou a maioridade em março deste ano / Fotos: Alexandre Gondim/JC Imagem; Reprodução

José Ernestor completou a maioridade em março deste ano
Fotos: Alexandre Gondim/JC Imagem; Reprodução
JC Online

 

Foi através da ligação de um dos amigos que estava com a vítima que Elisângela dos Anjos, de 42 anos, mãe do jovem José Ernestor Ferreira da Silva, de 18 anos, atacado por um tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, ficou sabendo do acidente. A ligação, na verdade, foi feita para o celular do irmão da vítima. “Eu endoidei em casa, os vizinhos todos me ouviram”, conta Elisângela. O jovem, que saiu de casa por volta das 12h, estava na praia sem consentimento da mãe. “Ele ia pra praia escondido de mim, sabia que eu achava perigoso. Não estava preocupada porque pensei que ele estava nas redondezas de casa”, explicou.

Ernestor foi transferido pelo Samu para o Hospital da Restauração, área central do Recife, passou por cirurgia de cerca de 3 horas mas não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada desta segunda-feira (4).

“Ele é treloso desde criança”, conta a mãe

Residente de Santo Aleixo, também em Jaboatão, José Ernestor foi mordido enquanto tomava banho com alguns amigos. Segundo o Corpo de Bombeiros, que prestou os primeiros socorros à vítima e o encaminhou para o Hospital da Aeronáutica, na Zona Sul do Recife, o jovem estava na parte funda do mar e foi alertado para voltar para a área rasa quando foi atacado na perna esquerda.

José Ernestor, que completou a maioridade em março deste ano, é o quarto irmão de cinco filhos e mora com a família. Eles iam à praia juntos desde muito pequenos. Estudante do nono ano do ensino médio, faz capoeira e não tem emprego fixo. Para o irmão Ezequiel Silva Junior, depois do acidente, “a vida terá um novo rumo”. Familiares e vizinhos da vítima estão no Hospital da Restauração (HR), para onde ele foi encaminhado, à espera do boletim médico.

Solidariedade

A mãe da última vítima do ataque de tubarão, no mesmo local que o de José Ernestor, foi ao HR prestar solidariedade à família. “Hoje faz 15 dias que eu passava pela mesma dor. Graças a Deus, Jesus fez um milagre na vida do meu filho”, lembra Darlene Melo, de 55 anos. Segundo ela, a área onde aconteceu os ataques merece maiores sinalizações. “Deveria ter uma tela no local porque as pessoas veem a placa, mas não obedecem”, defende.